sábado, 8 de dezembro de 2007


A greve dos Guionistas


Tudo bem explicado e todos entendem...



Apesar das gargalhadas enlatadas, excelente colaboração de Woody Allen.




Tirado do cinco dias

sexta-feira, 23 de novembro de 2007


Maurice Béjart, 1927-2007




Béjart morreu.
Há cerca de 40 anos teve a 'leviandade', numa vinda ao Coliseu, de manifestar o seu apoio aos movimentos de libertação africanos e a PIDE fez o favor de o acompanhar desde o Coliseu até ao aeroporto, não fosse ele perder-se por Lisboa e fazer, ainda mais, estragos... e, assim, lá tivemos de digerir mais uma vergonha.





domingo, 18 de novembro de 2007


A ASAE fechou...




a ginginha. Não haverá por aí uma A-qualquer-coisa que feche o governo?


Não deixemos que fechem o Quarteto




Há fortes suspeitas de que este encerramento é para durar. A notícia oficial está aqui.

domingo, 11 de novembro de 2007


"Um sonho americano"




[...]
Uma leve náusea, parecida à depressão com a qual uma pessoa pode acordar todas as manhãs durante anos, andava à deriva nos meus pulmões. Se alegasse loucura temporária, Leznicki e eu seríamos irmãos, estaríamos na eternidade muito juntos, em fila indiana, marcando passo. Não obstante, senti-me tentado, porque me haviam reaparecido o vazio no peito e a sensação de vácuo no estômago. Não tinha a menor certeza de poder continuar. Não, interrogar-me-iam interminavelmente, diriam verdades e mentiras, tão depressa se mostrariam amigos como inimigos e, entretanto, eu continuaria a respirar o ar daquela sala, com os seus cigarros e charutos, o café que sabia a cafeteira suja, o cheiro distante a instalações sanitárias e lavandarias, a depósitos de sucata e de cadáveres, veria paredes verde-escuras e tectos branco-encardidos, escutaria murmúrios subterrâneos, abriria e fecharia os olhos sob a luz abrasadora das lâmpadas eléctricas, viveria num túnel de metropolitano, durante dez ou vinte anos, e de noite dormiria numa cela sem nada que fazer além de deambular no chão de pedra. Morreria de torpores intermináveis e projectos caducados.
[...]
Norman Mailer, Um sonho americano

Norman Mailer nasceu em 1923 e morreu ontem.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007


Pela reposição dos Benefícios Fiscais


«Não concordamos

Não concordamos que se diminua a qualidade de vida das pessoas com deficiência.

Já chega tudo o que têm de enfrentar no dia a dia:
Barreiras físicas que lhes limitam a mobilidade. Barreiras comunicacionais que lhes limitam o acesso à informação e ao conhecimento. Preconceitos que lhes limitam a vida.

Pessoas a quem é negada a igualdade com os restantes cidadãos no acesso à educação, emprego, cultura e lazer têm de ser objecto de uma política activa de inclusão. Os benefícios ou deduções fiscais são uma componente essencial dessa política, pois garantem às pessoas com deficiência um rendimento extra que lhes permite fazer face aos custos decorrentes da sua deficiência.

A proposta do Governo na lei do Orçamento de Estado de 2007, reiterada para o Orçamento de Estado de 2008, de retirar benefícios fiscais às pessoas com deficiência em sede de IRS não é justiça social.

Retirar benefícios, que estavam consagrados desde 1988, a quem tem de se confrontar diariamente com inúmeros obstáculos para aceder e se manter no mercado de trabalho, com custos elevados para compensar o seu handicap, é penalizar o esforço de integração feito por essas pessoas e reduzir-lhes drasticamente a qualidade de vida.

Ao alterar a situação vigente desde 1988, sem que para tal tenha efectuado qualquer estudo sobre os custos da deficiência, o Governo legislou sobre o que não conhecia, escolhendo uma via fácil, mas injusta, de melhorar a situação de algumas pessoas com deficiência mais carenciadas, à custa de aumentos de imposto perfeitamente inadmissíveis dos que têm rendimentos médios, como tem sido demonstrado pela imprensa.

Assim, nós, abaixo assinados,

Apelamos ao Governo para que realize um estudo sobre os custos que as pessoas com deficiência suportam para compensar o seu handicap, e que só então defina quais os benefícios ou deduções fiscais que devem compensar esses custos;

Apelamos ao Governo para que evite as situações económicas de ruptura familiar que está a criar com as recentes medidas e que, até ter um conhecimento aprofundado das situações reais, reponha os benefícios fiscais para as pessoas com deficiência, mantendo, porém, a dedução à colecta que definiu recentemente, deixando-as optar pelo sistema de cálculo que lhes seja mais favorável;

Apelamos ainda ao Governo para que fiscalize e puna severamente quem de modo fraudulento aceda a benefícios que devem ser exclusivos das pessoas com deficiência, pondo assim termo a insinuações lesivas da sua honorabilidade.

Lisboa, 19 de Outubro de 2007»


Esta petição encontra-se aqui.

O blogue do movimento encontra-se aqui.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007


Parabéns




a O Jumento que completou hoje 4 anos de existência. Pois que continue por muitos e bons!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007


O que se diz por aí (I):


JORNAIS:

No DN, "As Sondagens Da Rutura" por Baptista Bastos

Não gosto de escrever isto: mas José Sócrates mentiu, descredibilizou todos os princípios de progresso e de justiça contidos na doutrina do seu partido, tripudiou sobre os códigos genéticos de uma certa esquerda, desrespeitou os eleitores e desacreditou as palavras, em nome de uma receita pessoal. A fraude não poderia manter-se. O confronto político estava retirado, inexistia ou se dissolvia numa inutilidade loquaz. As coisas mudaram de figura. A consistência deste Executivo é tão frágil que duas ou três brandas declarações de Menezes se transformaram em hecatombe.

e,"O FRACASSO DA ESCOLA PÚBLICA?" por Pedro Lomba

Também eu sou um produto da escola pública. Também me irrito quando vejo o ensino público comandado por sábios e distante das necessidades do mundo que devia servir. Como Rui Tavares fez no Público, penso nos meus velhos colegas de liceu da Padre Alberto Neto (já agora, 168 no "Ranking"). Tínhamos uma escola heterogénea. Um de nós foi quase o melhor jogador de futebol da nossa geração. Outro pertenceu à boys-band Excesso. Havia uma miúda muito gira que já não é tão gira e acabou em modista. Há escolas que produzem estadistas, a minha gerou cançonetistas, desportistas e este vosso escriba anafado. Mas quando penso em todos os meus ex-colegas que não contribuíram para a nossa subida no ranking ou que ficaram pelo caminho, não me ocorre atribuir responsabilidades à escola pública. Nem a eles. A vida é complicada.



BLOGUES:

No "Zero de conduta" um conjunto de excelentes posts a propósito da disputa ensino privado/ensino público sob o título: "A distopia liberal sobre a escola pública" I, II, III, IV.





sexta-feira, 26 de outubro de 2007


José Cardoso Pires, 1925-1998





"Janeiro de 1995, quinta-feira. Em roupão e de cigarro apagado nos dedos, sentei-me à mesa do pequeno-almoço onde já estavam a minha mulher com a Sylvie e o António que tinham chegado na véspera a Portugal. Acho que dei os bons-dias e que, embora calmo, trazia uma palidez de cera. Foi numa manhã cinzenta que nunca mais esquecerei, as pessoas a falarem não sei de quê, e eu a correr a sala com o olhar, o chão, as paredes, o enorme plátano por trás da varanda. Parei na chávena de chá e fiquei.
Sinto-me mal, nunca me senti assim, murmurei numa fria tranquilidade.

Silêncio brusco. Eu e a chávena debaixo dos meus olhos. De repente viro-me para a minha mulher: «Como é que te chamas?»

Pausa. «Eu? Edite.» Nova pausa. «E tu?»

«Parece que é Cardoso Pires», respondi então
."


in De Profundis, Valsa Lenta


segunda-feira, 22 de outubro de 2007


Georges Brassens, 1921-1981


« Dieu, s'il existe, il exagère »





Les sabots d'Hélène

Les sabots d'Hélène
Etaient tout crottés
Les trois capitaines
L'auraient appelée vilaine
Et la pauvre Hélène
Etait comme une âme en peine
Ne cherche plus longtemps de fontaine
Toi qui as besoin d'eau
Ne cherche plus, aux larmes d'Hélène
Va-t'en remplir ton seau

Moi j'ai pris la peine
De les déchausser
Les sabots d'Hélèn'
Moi qui ne suis pas capitaine
Et j'ai vu ma peine
Bien récompensée
Dans les sabots de la pauvre Hélène
Dans ses sabots crottés
Moi j'ai trouvé les pieds d'une reine
Et je les ai gardés

Son jupon de laine
Etait tout mité
Les trois capitaines
L'auraient appelée vilaine
Et la pauvre Hélène
Etait comme une âme en peine
Ne cherche plus longtemps de fontaine
Toi qui as besoin d'eau
Ne cherche plus, aux larmes d'Hélène
Va-t'en remplir ton seau

Moi j'ai pris la peine
De le retrousser
Le jupon d'Hélèn'
Moi qui ne suis pas capitaine
Et j'ai vu ma peine
Bien récompensée
Sous le jupon de la pauvre Hélène
Sous son jupon mité
Moi j'ai trouvé des jambes de reine
Et je les ai gardés

Et le cœur d'Hélène
N'savait pas chanter
Les trois capitaines
L'auraient appelée vilaine
Et la pauvre Hélène
Etait comme une âme en peine
Ne cherche plus longtemps de fontaine
Toi qui as besoin d'eau
Ne cherche plus, aux larmes d'Hélène
Va-t'en remplir ton seau

Moi j'ai pris la peine
De m'y arrêter
Dans le cœur d'Hélèn'
Moi qui ne suis pas capitaine
Et j'ai vu ma peine
Bien récompensée
Et dans le cœur de la pauvre Hélène
Qu'avait jamais chanté
Moi j'ai trouvé l'amour d'une reine
Et moi je l'ai gardé






Paroles: Georges Brassens. Musique: Georges Brassens 1954

terça-feira, 16 de outubro de 2007


Adriano - 25 anos depois





ADRIANO

Não era só a voz o som a oitava
que ele queria sempre mais acima
nem sequer a palavra que nos dava
restituída ao tom de cada rima.

Era a tristeza dentro da alegria
era um fundo de festa na amargura
e a quase insuportável nostalgia
que trazia por dentro da ternura.

O corpo grande e a alma de menino
trazia no olhar aquele assombro
de quem queria caber e não cabia.

Os pés fora do berço e do destino
pediu uma cerveja e poesia.
E foi-se embora de viola ao ombro.

Manuel Alegre, Coimbra Nunca Vista






(Canção com lágrimas de Manuel Alegre)

sábado, 13 de outubro de 2007


Paulo Autran (1922 - 2007)



Paulo Autran no ensaio geral de "O Avarento"



Deixou-nos esta 6ª feira.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

quarta-feira, 12 de setembro de 2007


Os exames não resolvem nada



"A prova é que temos exames do secundário desde 1997 e os resultados nunca melhoraram. Os exames não resolvem nada."

Foram precisos dois anos e meio para que a srª ministra tivesse concluído uma evidência. Qualquer professor com um mínimo de experiência, que se interesse a sério pelas questões da educação, sabe que os exames não resolvem nada. A única utilidade é a de seriar os alunos para a entrada no ensino superior. Mais nada.



Já chega!


É urgente virar a página senão em vez de Ardelua este blog passa a chamar-se 'Necroblog'...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007


E lucevan le stelle





Luciano Pavarotti (1935 - 2007)





sábado, 25 de agosto de 2007


O Fio do Horizonte





Já tenho saudades...


Eduardo Prado Coelho nasceu em 1944 e morreu em 2007

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

terça-feira, 31 de julho de 2007


Antonioni (1912 - 2007)



Monica Vitti em "L'Aventura"





segunda-feira, 30 de julho de 2007


Ingmar Bergman (1918 - 2007)





A extensa lista do seu trabalho pode ser consultada aqui.

Será que a RTP não pode fazer um ciclozinho de Bergman?! Mesmo na "silly" - não há problema!

sexta-feira, 20 de julho de 2007


A Fúria de Viver





ESPLENDOR NA RELVA


eu sei que deannie loomis não existe
mas entre as mais essa muher caminha
e a sua evolução segue uma linha
que à imaginação pura resiste


A vida passa e em passar consiste
e embora eu não tenha a que tinha
ao começar há pouco esta minha
evocação de deanie quem desiste


na flor que dentro em breve há-de murchar?
(e aquele que no auge a não olhar
que saiba que passou e que jamais


lhe será dado ver o que ela era)
Mas em deanie prossegue a primavera
e vejo que caminha entre as mais


Ruy Belo


Natalie Wood -n.em 20 de julho de 1938; f.em 1971



quarta-feira, 18 de julho de 2007


A barbearia




Ei-la, aberta de fresquinho e onde o Luís vai receber o(a)s seus(uas) amigo(a)s.

Bonne chance, Luís!

sábado, 14 de julho de 2007


Le 14 Juillet


Tomada da Bastilha - Julho de 1789
Jean-Baptiste LALLEMAND




quinta-feira, 12 de julho de 2007


Sem comentários...


MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL


Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar

Despacho (extracto) n.o 11 171/2007


Por meu despacho de 7 de Maio de 2007 e nos termos da alínea b)
do n.o 3 do artigo 15.o da Lei n.o 10/2004, de 22 de Março, determino
a promoção, em reconhecimento de excelência, independentemente
de concurso, do técnico superior de 1.a classe João Manuel Marmeleiro
Nunes Gonçalves da Rosa na categoria de técnico superior principal,
da carreira técnica superior, do quadro de pessoal da Direcção-Geral
de Pessoal e Recrutamento Militar, com efeitos a 31 de Dezembro
de 2005. (Isento de fiscalização prévia do Tribunal de Contas.)

7 de Maio de 2007.—O Director-Geral, Alberto Rodrigues Coelho.


Via O Jumento e o próprio DR.


quarta-feira, 11 de julho de 2007


A ler


Baptista Bastos no DN - "A Liberdade Ameaçada":

"Está em causa uma normatividade que pretende coagir os jornalistas ao temor e à reverência, e que tende a relegar a liberdade de Imprensa para a lista dos produtos supérfluos."



sábado, 7 de julho de 2007


Chagall



O pintor da lua



N - 07-07-1887
F - 28-03-1985



A ler


O artigo de opinião "ABORTAMENTO E TAXAS MODERADORAS " pelo padre Anselmo Borges, no DN:
"Ficou-me apenas aquele saber comum de que a política é a arte complexíssima do possível, pois tem a ver com o poder - a dificuldade maior dos homens e mulheres é gerir o ter, o prazer e sobretudo o poder -, na tentação constante de se resvalar do bem comum para os negócios. Qual é exactamente a relação entre ética e política, sobretudo quando, numa sociedade-espectáculo, a própria crítica se dissolve ao ser ela mesma restituída em espectáculo? Depois, controla-se a opinião pública, entretendo-a com questões menores e até ridículas - para que se não pense nos grandes problemas."



quinta-feira, 5 de julho de 2007


Carmen Pignatelli


Secretária de Estado Adjunta e da Saúde






terça-feira, 3 de julho de 2007


Ser de esquerda


Deleuze diz o que é:



Tirado daqui

segunda-feira, 2 de julho de 2007


Está a uma média de 1/semana


tenhamos esperança... há-de subir.

A última:

"Na Sub-região de Saúde de Castelo Branco, as cartas dirigidas aos funcionários estão a ser abertas pelos serviços de coordenação. A prática foi estipulada pela coordenadora do serviço, Ana Maria Correia, numa nota enviada a "todo o pessoal".
Datada de 20 de Junho, nela se estipula que "a correspondência recebida endereçada directamente a determinados funcionários ou ao cuidado dos mesmos será aberta na coordenação, desde que oriunda de qualquer serviço público ou outro". O documento foi apresentado na sexta-feira à Assembleia Municipal de Castelo Branco pela médica e eleita pelo PSD, Isabel Jorge, que classificou a prática nele estipulada como
"uma ilegalidade" e "uma vergonha".".

No Público.


é assim:




domingo, 1 de julho de 2007


Aonde é que já chegámos????



"Denuncie Conteúdos Ilegais..."


Aqui.



A ler


No "Arrastão" o que Carlos Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa e operário nesta fábrica, tem a dizer com: "Querem mesmo aprender com a Autoeuropa?".

No "Almocreve...", "O Estado sou eu!".

No "...bl-g- -x-st-", "Novelas do Minho".

No "Campo Lavrado", "Opinião e liberdade".



quarta-feira, 27 de junho de 2007


«OS ENLEVOS PATRIÓTICOS»


É o título do artigo de opiniâo que Baptista Bastos assina hoje no DN e onde pode ler-se:
«[...] O súbito arrebatamento patriótico de "grupos económicos", cuja natureza se ignora, mas de desígnios evidentes, representa a constante inventiva estilística do capitalismo. Todos os interessados no novo aeroporto declaram o seu extremado amor a Portugal e a estremecida ternura pelo povo. A celebração desses nobilíssimos sentimentos é feita através de um caudal de palavras e de acções, cuja força atordoa a nossa incipiente sabedoria. [...]»


A ler


No Jumento uma interessante opinião sobre a tão badalada «flexigurança».


Também no Jumento "A OPA sobre o país".

É mau demais para ser verdade






O que esperará o PSD?

quarta-feira, 13 de junho de 2007


Quem ficou com o relógio?





Enver Hoxha deve ter dado muitas voltas!!!

sábado, 9 de junho de 2007


Carta enviada à senhora Ministra da Educação



Esta carta foi escrita por uma colega que não conheço, mas não hesitei em publicá-la pois é uma bom retrato do que se passa nas nossas escolas.

Assunto: os critérios do 1º concurso para professor titular e o desperdício de professores
Lisboa, 5 de Junho de 2007

Ensino Francês na Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa, e sou um dos muitos professores do 10º escalão do nosso país que não somam os 95 pontos para acederem ao 1º concurso para professor titular.

Não venho lamentar-me e muito menos pedir um tratamento de excepção, antes apresentar um exemplo que ajude V. Exª a meditar sobre as injustiças dos critérios que decidiu adoptar para este concurso.

Adianto que pertenço ao grupo de professores que defendem uma avaliação séria da qualidade – e sublinho QUALIDADE - das nossas prestações profissionais e mesmo da existência de duas carreiras que se distingam, mais uma vez, pela qualidade daquilo que cada um de nós sabe fazer e do modo como o faz.

Considerar apenas os últimos sete anos em carreiras com mais de trinta releva de um grande desrespeito pelo trabalho de uma vida; valorizar exageradamente cargos de natureza marcadamente administrativa em detrimento dos cargos verdadeiramente pedagógicos é negar a intenção sobejamente anunciada de conferir mais qualidade e mais sucesso à educação e ao ensino nas nossas escolas; fixar um total de 95 pontos, fasquia agora generosamente descida de um montante inicial quase inatingível, só gera injustiças num enorme grupo de professores que devia aceder a titular sem ter que saltar barreiras.

Dos critérios adoptados, Senhora Ministra, estão à vista consequências que deveriam fazer pensar o Ministério que V. Exª tutela, pois desperdiçam recursos humanos que empobrecem as nossas escolas.

E aqui chego à minha situação pessoal.

Se me permite um pequeno historial, alinho de seguida as minhas actividades dos últimos sete anos:

§ Professora do 8o Grupo B do Quadro da Escola Secundária Passos Manuel - (destacada de 1999-2000 a 2003-2004 na Associação Portuguesa dos Professores de Francês; em exercício de funções de 2004-2005 a 2005-2006)

§ Orientadora de estágio pedagógico de Francês da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, realizado na Escola Secundária Passos Manuel (2005-2006)

§ Presidente da Comissão Executiva da Associação Portuguesa dos Professores de Francês (de 1993 a 2006)

§ Presidente da Federação Nacional das Associações de Professores de Línguas Vivas (de 1995 a 2002)

§ Membro do Conselho Nacional de Educação (de 1997 a 2001)

§ Membro do Conselho Consultivo do Currículo Nacional do Ensino Básico (de 1999 a 2000)

§ Co-autora do Currículo Nacional do Ensino Básico (de 1999 a 2000)

§ Autora-coordenadora dos programas de Francês do Ensino Secundário em vigor (de 1999 a 2000)

§ Formadora certificada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua nas áreas A34 – Francês e C05 –Didácticas Específicas (Francês), com o registo CCPFC/RFO-06415/98 (de 1998 até à presente data), com dezenas de sessões de formação contínua de professores de Línguas dinamizadas em muitas escolas do país.

§ Directora do Centro de Formação desta Associação Portuguesa dos Professores de Francês (de 1999).

Todavia, poucas destas actividades contam. Algumas, como a autoria de programas, só contariam se fossem simultâneas ao trabalho efectivo na escola, o que prova que mais que a capacidade para fazer programas conta o malabarismo em gerir a multiplicidade de tarefas.

Aquela seriação pode parecer um exercício de imodéstia, mas é essencial para demonstrar que no meu percurso profissional recente houve um trabalho com parceiros muitos diversificados, forçosamente com especialistas nacionais e estrangeiros, que me ajudaram a construir um saber que aperfeiçoou muita significativamente a minha prática lectiva, me permitiu compreender a Escola e a minha profissionalidade de uma forma mais rigorosa e plural e, finalmente, me concedeu o reconhecimento por pares e superiores hierárquicos.

Ao referir o meu caso, não esqueço o de todos aqueles colegas que, tendo tido um percurso diferente, realizaram um trabalho de muita qualidade e vêem igualmente negado o acesso a um patamar que é deles de direito.
Refiro-me aos formadores de professores reconhecidos pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua que, durante anos, dinamizaram inúmeras sessões de formação contínua.

Refiro-me aos professores que publicam a sua reflexão pedagógica e didáctica (e não falo de elaboração manuais escolares, que, pela sua natureza comercial, não deveriam constituir um critério de admissão de professores) que fundamenta algumas das linhas de força de muitas decisões de política educativa.

Refiro-me igualmente aos colegas que não desempenharam cargos por terem tido horários completos, não necessitando de os "preencher" com uma direcção de turma, uma coordenação de disciplina ou outro. Infelizmente, a rotatividade quase obrigatória destes e de outros cargos de gestão intermédia das escolas tem frequentemente desvirtuado a sua vertente educativa e formadora, quase deixando de ser importantes as pessoas que os desempenham.

Onde tem estado, em muitíssimos casos, a preocupação em adequar o perfil do professor ao cargo que vai desempenhar? E nos critérios de acesso a este concurso, onde esteve a preocupação em contemplar as práticas de formação e de avaliação imprescindíveis para futuros avaliadores dos seus colegas?

Senhora Ministra, gostaria que meditasse na orientação que está a dar à vida das nossas escolas e revisse algumas das suas decisões no sentido do estímulo da qualidade e da inovação.

Assim o fez a França ao atribuir-me duas condecorações em reconhecimento do meu trabalho pela causa e pelo ensino do Francês, trabalho que o governo do meu país não valoriza.

Os meus cumprimentos




sábado, 2 de junho de 2007


When I'm fourty




E passaram 40 anos sobre o lançamento de "Sgt. Pepper Lonely Heart Club Band". Lembram-se das personagens da capa? Aqui, estão todas identificadas. Boas recordações!



segunda-feira, 14 de maio de 2007


Cacarejos!!!


APELOS:
1. Vão ao Cinema.
2. Apoiem o Cinema Português, pois só assim ele pode ter mais qualidade.
3. Vão ver “O Mistério da Estrada de Sintra” e garanto-vos que não saem desiludidos.



O mais novo da minha reduzidíssima prole fez estágio de montagem neste filme, à custa disso já tem o nome no IMDB e a galinha já está a cacarejar!!!

quarta-feira, 9 de maio de 2007

domingo, 6 de maio de 2007


Bonne chance, Ségolène! Bonne chance...





Se fosse francesa, Ségolène não seria de modo algum a minha candidata mas não hesitaria um segundo, votaria nela. Afinal, é o que venho fazendo há largos anos - votar contra.



segunda-feira, 30 de abril de 2007


Trabalho Precário


Que é como quem diz - viver na corda-bamba




sexta-feira, 27 de abril de 2007

Rostropovich







Schubert - Sonate pour arpeggione - II. Adagio

quinta-feira, 26 de abril de 2007

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Eu Vim de Longe


Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de Maio começou
Eu olhei para ti
Então entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou

Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha n'outra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p'ra aqui chegar
Eu vou p'ra longe
P'ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p'ra nos dar

E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos cantei
Foram feitos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão

Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei p'ra ti
E então entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou

Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi p'ra esta força que apontou

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p'ra aqui chegar
Eu vou p'ra longe
P'ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p'ra nos dar


José Mário Branco


segunda-feira, 23 de abril de 2007

Títulos do DN


. Conflitos na Lusófona acabaram com acordos em dinheiro

. Sentença da Moderna só manteve um arguido preso

Será que... o prazo acaba hoje, não é?

A ler


"[...]Há um lugar que está vago e, por acaso, tem lá inscrito o rosto de Paulo Portas: é o de opositor à direita de Aníbal Cavaco Silva nas próximas eleições presidenciais.[...]" - Ana Sá Lopes, no DN

"[...]Um passo decisivo nesse sentido foi dado pelo genial The Daily Show da Comedy Central desde Julho de 1996, com Jon Stewart desde 1999, e seus desenvolvimentos, como The Colbert Report de Stephen Colbert desde Outubro de 2005. O elemento novo neste fenómeno mundial de popularidade é o programa ser feito com notícias verdadeiras. Não só brinca com poderosos, como a Contra-Informação, Inimigo Público ou Gato Fedorento, mas manifesta o ridículo apresentado em directo pelos próprios. As entidades mais eminentes têm sido entrevistadas nesses programas, defrontando um questionário tão mais difícil porque hilariante."[...] - J. César das Neves, no DN



domingo, 22 de abril de 2007

Ségo/Sarko






Que venha o diabo e escolha!!!!!


Eleições - França


Resultados da 1ª volta




Dreams (1ª parte)




Uma bela homenagem, a que Kurusawa prestou a Van Gogh.

Dreams (2ª parte)




sexta-feira, 20 de abril de 2007

Um Lobo



[...]"De uma forma ou de outra a gente luta sempre. Momentos de quase esperança, momentos de desânimo. Não: momentos de muito desânimo e momentos de desânimo maior, como se me obrigassem a escolher entre o que não vale nada e o que vale ainda menos."[...]

António Lobo Antunes

Há uma semana atrás rolou-me uma lacrimita...

A LER



"O dr. Mário Soares, ..., não precisava de ser o "bombeiro" do actual grupelho socialista."... escreveu Masson no Almocreve das Petas;

"Sócrates não sabe chorar
Assistimos ontem à noite a uma das mais tristemente ridículas encenações político-partidárias dos últimos anos em Portugal."... pelo Pedro Lourenço no Arcadia;

"Convidar Pina Moura para presidir a um grupo de Media é uma ideia muito rebuscada e ligeiramente cómica. Pensar que ele pode aceitar faz-nos sorrir. Saber que ele aceitou faz-nos pensar bastante e ficar preocupados."... diz Ricardo Costa no DE.



quinta-feira, 19 de abril de 2007

Agradecimentos



Afastada uns dias da actividade bloguista, quero agradecer as gentis palavras deixadas pelos Pedros, o Lourenço - do Arcádia e o Oliveira - do Vila Flor.

E como aumentou o número dos que me visitaram, graças à amável generosidade de outro Pedro, o Correia - do Corta-fitas!

Bem hajam.

sábado, 14 de abril de 2007

"A Europa 50 anos depois"



Espero que o padre Anselmo Borges não vá na água do banho a que o DN tem sido sujeito pois seria uma perda irreparável. O texto de hoje é verdadeiramente a não perder. Aqui fica uma amostra para abrir o apetite.

" A Europa mítica é uma princesa de Tiro. Como que a lembrar que a Europa é a Eurásia, portanto, a Europa ecuménica, de fronteiras imprecisas.

Andava a belíssima princesa fenícia a passear pela orla marítima, quando Zeus se aproximou disfarçado de touro. O touro branco deixou que a jovem o acariciasse, convidando-a a trepar para o seu dorso. Entrou então pelo mar adentro, dirigindo Eros o casal para a ilha de Creta. Fizeram amor e nasceram Minos, Radamante e Sarpédon, soberanos ilustres de Creta e de Lícia."



(link para o texto no DN http://dn.sapo.pt/2007/04/14/opiniao/a_europa_anos_depois.html )




sexta-feira, 13 de abril de 2007

Uma lufada de ar fresco


O ideal universitário

Quando se salta a etapa do ideal universitário tudo o resto, por importante que seja, corre mal. Há qualquer coisa no ideal universitário que o torna difícil de explicar, apesar de ser tão simples. O ideal universitário é as ideias. Ideias sobre como são as coisas, sobre como funcionam, sobre como deveriam funcionar, ideias sobre ideias. Algumas dessas ideias são conhecimento, outra são comentário, outras criatividade, a maior parte delas um pouco disso tudo. Mas é difícil explicar aos alunos, ou até ao resto da sociedade, que dentro daquelas paredes (metafóricas: pode ser cá fora, na esplanada, no trabalho de campo, na visita de estudo) essas ideias devem ter precedência sobre tudo o resto. Se os alunos querem um diploma e os pais pagam por um bom emprego, não é fácil dizer-lhes que por agora a única coisa importante é o que escreveram alguns mortos de há mais de cem anos, ou como se comporta a partícula x, ou que interpretação dar à arte de y. Só depois de ganhar verdadeiro interesse ou paixão por tais coisas chega a altura de se poder começar a tratar de notas, de diplomas e de empregos.

Isto parece idealista, e é. Não poderia deixar de sê-lo, porque a razão de ser da Universidade é precisamente o idealismo, e não falo da doutrina filosófica do mesmo nome mas do projecto e da experiência histórica de haver um lugar inventado pelas ideias e só para as ideias. O resto pode ser importantíssimo. Mas quando se salta a etapa do ideal universitário tudo o resto, por importante que seja, corre mal.

Esta é uma das razões pelas quais o episódio da Universidade Independente nos enche de vergonha alheia. Sabemos que foram defraudadas pessoas que queriam o seu diploma e pessoas que queriam uma carreira académica, que alunos ficaram sem aulas e professores sem salários. Mas se ouvirmos os autores da fraude, como não esperar este resultado? Desde há semanas nos media só os ouvimos falar de andares e piscinas, lutas pelo poder e diamantes, acções e hipotecas. Nunca por uma vez sequer nos disseram para que queriam uma universidade. Que gostariam de fazer com ela. Que diferentes concepções defendia cada facção em confronto, se é que pensavam em tal coisa.

Infelizmente, estão longe de ser caso único. Os sinais de degradação do Ensino Superior Privado no nosso país são claros: as instituições esquecem-se que antes de serem privadas têm de ser universidades. O relaxamento geral em que viveu a UnI não é, ao contrário do que pretendeu o Ministro, coisa recente nem isolada. O que é preciso explicar é como se deixou atingir este ponto, o que não coloca apenas em causa o seu ministério. Por exemplo: como podem ter leccionado tantos jornalistas importantes na UnI sem a imprensa ter investigado aquele ninho de mafiosos? O ideal universitário pode vingar em qualquer ambiente – público, privado, cooperativo, livre, há excelentes universidades para todos os gostos. Mas é um ideal frágil. Tem de ser protegido sem ser asfixiado: pelo estado, pela sociedade, pelas próprias instituições.

Por mero acaso, Portugal tem algumas condições para se sair bem no mercado universitário, à escala global e a longo prazo. Um país pequeno, agradável e seguro com uma língua falada por duzentos milhões, uma universidade das mais antigas do mundo, uma capital com potencial cosmopolita e meia-dúzia de cidades históricas ou com razoável vida cultural, integração à escala europeia e laços em todo o mundo. Neste contexto, as universidades podem ser boas para o desenvolvimento e para a economia. Mas em primeiro lugar, se não quisermos as universidades para aquilo que elas servem, elas não servirão para mais nada.


(Público, 11 de Abril)

Rui Tavares

(roubado daqui)


quinta-feira, 12 de abril de 2007

Os esclarecimentos



Doloroso, digamos quase deprimente,foi ver o primeiro ministro justificar as suas trapalhadas. E para quê? Ficámos tal qual estávamos. Para além de não esclarecer rigorosamente nada, aproveitou para mais uma vez mostrar o seu provincianismo.

terça-feira, 10 de abril de 2007

A licenciatura de José Sócrates



Quando se constata a premência dos jovens obterem qualificações superiores, a necessidade de haver uma mão de obra qualificada, não fará muito sentido dizer-se ser irrelevante o facto de o 1º ministro não possuir as habilitações que dizia.
Mas o mais importante, apesar de tudo, é saber-se como estas habilitações foram obtidas, i.e, qual o “custo” deste título. É isso que espero ver esclarecido 4ªf na RTP.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Sec XXI, Europa Ocidental



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"Nota à Comunicação Social


NO ANO EUROPEU DA IGUALDADE DE OPORTUNIDADES PARA TODOS E TODAS,

CASINO LISBOA PROMOVE IMAGEM PUBLICITÁRIA ATENTATÓRIA DA DIGNIDADE DAS MULHERES


Junto se envia carta dirigida à Entidade Reguladora da Comunicação Social, protestando com o facto de o Casino de Lisboa, empresa parceira da CITE no Projecto Diálogo Social e Igualdade nas Empresas destinado a promover a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens, estar a promover o espectáculo “Crazy Horse” por recurso a imagem publicitária atentatória da Dignidade das mulheres.


Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens/CGTP-IN

Lisboa, 03de Abril de 2007 "


Tirado daqui.

quinta-feira, 5 de abril de 2007



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Este cartaz (que encontrei aqui) foi colocado pelos "Gatos" no Marquês de Pombal junto ao cartaz do PNR.
São uns amores estes meninos... conseguiram, com este cartaz, o que todos os discursos não foram capazes.




domingo, 1 de abril de 2007

ardelua



Este blogue inicia-se hoje ´porque a lua é mentirosa...